domingo, 2 de junho de 2013

Transversus na área: se encostar é pênalti!

(por: W. Bastos)

Não consigo entender como tem gente que gasta dinheiro comprando (e tempo lendo) jornais diários e revistas semanais da imprensa capitalista, cheios de mentiras, manipulações, vulgaridade, matérias fúteis e ideias perversas. Não há razão para consumir tais lixos, enquanto existem publicações tão interessantes e instrutivas por aí. Um exemplo? O jornal carioca Transversus, que custa somente R$2,00.

O periódico tem formato tabloide, 12 páginas, além de um encarte com temas políticos e sociais chamado Correspondência Socialista (contando mais quatro páginas). Além das salutares opiniões críticas e textos históricos (presentes principalmente no encarte), encontram-se, na publicação, matérias sobre os mais variados tópicos. Literatura, samba, futebol, roquenrol, Carnaval, basquete, cinema, boxe, chorinho – Transversus encara qualquer assunto.    

Na recente edição saída em maio/2013, encontramos: um bom editorial abordando violência e esporte; matéria sobre o futebolista uruguaio Luis Cubilla; texto sobre a derrota do Flamengo frente ao pequeno time Serrano em 1980, que na época impossibilitou o tetracampeonato rubro-negro; ótima análise descendo o pau nos desperdícios e negociatas nas obras dos estádios Maracanã e Engenhão;  escrito sobre o treinador de basquete Ary Vidal; divulgação do lançamento do livro “Quarenta anos do Assassinato de Almir, o Pernambuquinho: quarenta anos de um crime jamais explicado”; resenha do filme chileno “A Criada”; relato da conquista do bicampeonato mundial de basquete pela seleção brasileira em 1963; textos sobre os músicos Walter Franco, Ernesto Nazareth, Richie Havens, Emílio Santiago, Paulo Vanzolini,  e muito mais.

Para entrar em contato basta escrever para: transversus.cs@gmail.com.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

O Estado laico e a pregação da intolerância

(por: Bruno Lima Rocha)

Esta maravilhosa charge do cartunista Latuff fala por si só, expressa a soma da ignorância reproduzida em escala industrial e retroalimentando o pior dos valores mundanos do capitalismo mais selvagem.

A resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), datada de 14 de maio, obrigando os cartórios do Brasil a registrar o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, traz mais luz para um tema atravessado pelo obscurantismo e a ignorância sistêmica. Em tese o Estado brasileiro é laico. Apenas em tese. Para nossa desgraça, o discurso do sagrado, imiscuindo intérpretes da fé dentro da vida privada, hoje marca as ações mais retrógradas na sociedade. Já escrevi isso antes e repito, porque parece piada, mas é tragédia. No início do século XXI, o pensamento conservador desceu de andar da pirâmide social e caminha lado a lado do pior da política brasileira. Quem pensou nas seitas neopentecostais e a legião de tele-evangelistas dublês de políticos profissionais, acertou.

O problema da pregação reacionária utilizando mecanismos quase caricatos e reproduzindo a Teologia da Prosperidade é que esta legitima tanto a acumulação capitalista – e por conseqüência o consumo suntuoso – como as posturas de intolerância. Os direitos homo afetivos, assim como os direitos reprodutivos – e a legalização do aborto – deveriam ser fatos consumados e não tabus insuperáveis. Deveríamos estar discutindo a natureza do poder e do exercício democrático, e não temas recorrentes como racismo e homofobia. Mas, a correlação de forças é outra. A simples presença do deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) à frente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara obriga-nos a seguir no debate.

Toda pregação intolerante reforça comportamentos idênticos, em todos os níveis. A violência contra homossexuais é retroalimentada pela linguagem violenta da pregação conservadora. Os pastores que pregam a intolerância são co-responsáveis por cada homem e mulher covardemente agredidos. Se a homofobia fosse enquadrada como crime, nenhum dublê de político e apresentador de TV poderia usar este argumento como balela criacionista. É por isso que o texto do Projeto Lei 122 é tão importante. Infelizmente, é outra lei que caminha a passos lerdos e pelo visto não sai tão cedo.

O CNJ tomou uma decisão acertada, mas poderia ir além. Tanto o Conselho como o Supremo poderiam seguir os passos da Suprema Corte do Canadá. Lá, nenhum discurso bíblico – nem mesmo o escrito – pode ser usado contra a homossexualidade e quem o fizer é enquadrado no crime de ódio e assim é punido. A opção sexual é um direito individual e assim deve ser respeitado. O Estado laico tem de ser forçado a respeitar estes direitos e punir quem os ataca.

(Texto retirado da página: http://www.anarkismo.net/)

terça-feira, 28 de maio de 2013

Mais um Reboco Caído nas ruas

(por: W. Bastos)

Saiu mais um número do fanzine Reboco Caído. Já é o 16, e continua cheio de gás. Para quem não conhece esse trabalho do jornalista Fabio Barbosa, está mais do que na hora. Trata-se duma publicação alternativa, aperiódica, iconoclasta, que divulga (contra)cultura e crítica social.

Nessa edição, em 10 páginas meio ofício bem diagramadas, há: texto sobre o livro "Escritos Malditos de uma Realidade Insana" do Fabio mesmo; poemas de Monotelha, Renata Guadagnin, Alexandre Mendes e Mahmud Drwich; entrevistas com o fanzineiro Jeilson Placinsch (que faz a publicação "Café Sem Açúcar"), com Gustavo Merdinha e Duka (ambos da banda punk Dischaos) e com a fanzineira Jéssica B. Valeriano (editora do zine feminista "Estridente"); artigo de Panda Reis sobre racismo na Europa atual; charges de João da Silva, e uma tirinha de Eduardo Marinho em que o personagem é ninguém menos que o próprio Fabio.

Quer conhecer? Então anote aí – correio eletrônico: fsb1975@yahoo.com.br; materiais de Fabio na rede: www.slideshare.net/ARITANA; endereço: caixa postal 21819, Porto Alegre - RS, Brasil, CEP 90050-970. 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Solidariedade com trabalhador despedido na Redur



(por: A.I.T. - Seção Portuguesa)

A 19 de Abril a Redur Logística S.L. despediu Israel que trabalhava na empresa em Espanha há 6 anos e era desde 2011 delegado sindical da CNT (Confederação Nacional do Trabalho).

A empresa alegou que este era “perigoso” pois um dia no armazém havia chocado com o seu carrito de compras contra o carro de outra funcionária! A verdadeira razão para o despedimento não foi a explicação completamente absurda utilizada pela empresa, mas sim o incómodo causado pela actividade sindical constante de Israel, denunciando a falta de segurança no trabalho e os abusos praticados pela Redur (por exemplo, horas extras ilegais, imposição de serviços mínimos em situação de greve, etc.).

Este despedimento é um claro exemplo de repressão sindical e não vai ficar sem resposta. Em Espanha, em Portugal e em todo o lado, a solidariedade entre trabalhadores e trabalhadoras em luta será sempre mais forte do que toda a repressão dos patrões!

Exigimos a readmissão imediata do trabalhador despedido
na Redur em Espanha!

Basta de repressão laboral e sindical na Redur!

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Associação Internacional dos Trabalhadores
Seção Portuguesa - Núcleo de Lisboa

ait-sp.blogspot.com | ait.lisboa@gmail.com

Prejuízos Públicos, Privataria Privada: o caso Maracanã


(por: Rafael V. da Silva)

1,73 bilhão. Este é o valor gasto no estádio do Maracanã. Somadas aí a reforma para o Mundial de Clubes exigidas pela FIFA, as reformas do PAN Americano e as últimas obras de adaptação do Estádio para a Copa do Mundo.

A Delta uma das primeiras concessionárias a administrar a reforma tem ligações  com o governo estadual. Diversas irregularidades foram denunciadas pelo Ministério Público, entre elas, gastos excessivos realizados na obra. Mas dinheiro é o que não falta para a reforma, hoje administrada pela Odebrecht e a Andrade Gutierrez. Além de beneficiadas com recursos do governo estadual para realizar a reforma, essas empreiteiras receberam dinheiro do BNDES. O BNDES em tese deveria servir como um banco de financiamento de projetos de desenvolvimento social, mas sua real função é promover grandes empreendimentos arriscados para os lucros dos empresários, mas que podem ser feitos com dinheiro público (outro eufemismo para dinheiro dos principais contribuintes, trabalhadores assalariados).

Para maquiar as ligações íntimas entre lobbistas, empresários e políticos a estratégia é apresentar no campo da propaganda (que cria e fomenta imaginários) o benefício privado como público. A reforma do Maracanã não atenderia benefícios privados, mas sim estaria a serviço do Brasil e de um ufanismo torto que só se consolida com uma Copa do Mundo que custará aos cofres públicos quase dez vezes mais do que os “modestos” 10 bilhões projetados pelo ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

Fernando Cavendish (ex-presidente da Delta) que acuado pela opinião pública abandonou como um rato a “despensa” de grandes obras e empreitadas bancadas pelo governo do Estado é amigo íntimo de Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro. Sérgio Cabral, esteve presente numa festa de aniversário de Fernando Cavendish, proprietário da Delta, em um resort de luxo no sul da Bahia (voou para lá com um jatinho fretado por Eike Batista). As fotos emblemáticas, de um encontro em Paris no ano de 2009, com direito a coreografia melancólica e panos na cabeça atestam a relação estreita entre poder político e poder econômico.

Ligações perigosas mas habituais: relação de políticos, lobbistas e empresários é a regra do jogo, não sua exceção.


Além de Cavendish e Sérgio Cabral, as imagens evidenciam a intimidade entre lobbistas, grandes empresários e políticos, com direito a presença do secretaŕio de saúde Sérgio Côrtes, do então secretário estadual de fazenda Joaquim Levy, do secretário de urbanismo do prefeito Eduardo Paes e (pasmem) do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE), a quem caberia – segundo a auto-imagem idealizada do próprio Estado em sua atual forma histórica – fiscalizar o bom andamendo dos “gastos” públicos.

A Delta que se retirou sob pressão da opinião pública do consórcio responsável pela obra do Maracanã é uma das empresas que mais recebeu dinheiro do governo Cabral nos últimos cinco anos. Em dez anos a Delta alavancou sua arrecadação de 67 milhões de reais para 3 bilhões de reais, baseadas principalmente nas vitórias em licitações de obras públicas. Nada comparado aos modestos 1,15 milhão investidos da Delta no PMDB, partido de Sérgio Cabral. Mas a Delta, no mundo dinâmico dos piratas de terno esconde-se dos holofotes das grandes obras, deixando o botim a outros empresários do ramo.

Apesar dos protestos surdos do Ministério Público – que cada vez mais parece ter uma função “decorativa” na sala de estar do banquete econômico e político – o Maracanã foi licitado a empresa IMX de propriedade de Eike Batista. As denúncias de favorecimento são bem claras, mas revelam muito mais do que uma exceção na regra dos banquetes com dinheiro público. O favorecimento e a privataria no mundo político e econômico dos corredores do Estado não são exceções. São apresentados desta forma pela mídia corporativa como um “furo” jornalístico porque há de se transmitir a ideia e a auto-ilusão de que no mundo dos negócios o privado não se mistura com o público quando sabemos que num mundo de piratas a pirataria só pode ser a regra. Não devemos deste modo cair nos idealismos mais pueris. O público e o privado dentro do Estado não são esferas “autônomas”, fazem parte da lógica de funcionamento e dos procedimentos internos da estrutura governamental. .

As ligações íntimas entre lobbistas, empresários e políticos não denunciam portanto “deslizes” eventuais são sua condição de sobrevivência, gerenciamento e acumulação.

O resultado desses procedimentos podem não parecer tão claros e as denúncias de “irregularidades”, tão cansativas e repetitivas nos noticiários locais podem ter encoberto seus efeitos, mas basta olhar o preço do ingresso do próximo jogo do Maracanã (*), para termos certeza de que a privatização/privataria financiada pelos acordos íntimos palacianos obedecem a lógica dos lucros, jamais ao bem “público”.

* Flamengo e Santos, estimativa de ingresso, R$ 160,00.


Fontes:

http://brazilianpost.co.uk/06/05/2013/infografico-da-agencia-publica-mostra-gastos-do-maracana/

http://esportes.r7.com/futebol/noticias/-copa-do-mundo-vai-custar-r-100-bilhoes-para-o-brasil-diz-romario-20110622.html

http://www.ndonline.com.br/florianopolis/esportes/63186-governo-nao-se-preocupa-em-reaver-r$-12-bi-gastos-no-maracana.html

http://g1.globo.com/politica/noticia/2012/04/delta-deixa-consorcio-responsavel-pela-reforma-do-maracana.html

http://www.portal2014.org.br/andamento-obras/14/Estadio+do+Maracana.html

http://ricardo-gama.blogspot.com.br/2011/06/relacoes-initmas-delta-construtora-doou.html

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Contra as perseguições políticas no Colégio Pedro II!


(por: SINDSCOPE – Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II)

Mais uma vez precisamos vir a público denunciar atos arbitrários e indignos de perseguição política praticados em nossa Instituição. Infelizmente o atual grupo dirigente do CPII busca utilizar-se de mecanismos burocráticos e formais para tentar fazer recuar a intenção da comunidade em construir um Colégio Pedro II que se paute por uma gestão democrática e transparente.

Curiosamente, num período próximo ao processo eleitoral para a escolha do novo (a) Reitor (a) de nossa instituição – após decorridos mais de 06 meses do final da nossa última greve -, vemos a Reitoria da nossa Instituição tentar perseguir a militantes do movimento sindical através de Comissão de sindicância para apurar possíveis irregularidades e danos ao patrimônio, a partir da participação dos mesmos em ato público ocorrido em frente ao antigo prédio da Direção Geral, ocorrido no dia 05 de setembro de 2013. Vale registrar que esses Servidores usaram o seu direito legitimo de se manifestar contra a falta de diálogo e democracia, e contra o golpe perpetrado pela Direção Geral, ambos itens aprovados como pauta interna da nossa greve e devidamente aprovados por Assembleia da Categoria. A mesma Greve que conseguiu os aumentos do último período e para os próximos dois anos, incluindo-se nestes os dirigentes da nossa Instituição.

A denuncia falaciosa que foi utilizada para abrir tal Comissão tem a clara intenção de criminalizar aquela manifestação, tentando dar corpo ao boato de que teria ocorrido atentado moral e físico contra as pessoas do prédio da antiga Direção Geral e contra o patrimônio da Instituição. Vale registrar que a Polícia Militar e Polícia Federal foram chamadas pela direção da Instituição para coibir a livre manifestação dos Servidores e o resultado foi o acompanhamento à distância pela PM, devido a legalidade e tranqüilidade do nosso ato, bem como um Boletim de Ocorrência por parte da Polícia Federal onde aponta não ter encontrado qualquer irregularidade. E mesmo assim, a partir desses elementos oficiais de quem tem a responsabilidade de investigar esse tipo de denuncia, a Reitora do CPII, Professora Vera Maria Rodrigues, resolveu abrir uma comissão de sindicância para tentar substituir o que teria sido tentado ao chamarem as forças policiais.

Para exemplificar ainda mais a falta de transparência e a arbitrariedade do que vem sendo praticado, os servidores notificados (alguns daqueles que participaram do ato) não puderam sequer ter direito a consulta prévia dos autos da comissão de sindicância, antes de prestarem os referidos depoimentos. Ou seja, foram responder a uma comissão sem saberem antes o conteúdo das acusações que foram formalizadas por dirigentes da Reitoria do CPII (Sra. Vera Medalha e Gentil Salles). Durante o período dos depoimentos, diante de cada um dos servidores notificados, da presença da representação jurídica da OAB, convidada pela nossa Assessoria Jurídica, bem como do próprio advogado que representava aos militantes e dirigentes do SINDSCOPE, o presidente da Comissão negou-se a fornecer cópias do processo, e informou que os envolvidos e seus advogados só poderiam ler o conteúdo (acusações e outros documentos) naquele momento.

Ao negar as cópias dos documentos dos autos aos implicados na sindicância, a comissão cerceou o direito a ampla defesa o que transforma o rito administrativo em um “tribunal de exceção”. Tanto mais evidente fica essa constatação quando observamos que o episódio apurado é exatamente uma manifestação realizada durante uma greve. Atitude que não deixa margem para interpretações, configurando-se em flagrante assédio ao movimento sindical no CPII.

Diante do absurdo da situação, a Reitoria caminha na contramão da História, na direção do atraso, justamente agora que as forças democráticas do país exigem a abertura dos arquivos relativos aos “Anos de Chumbo” do regime Civil-Militar inaugurado em 1964. Um contra-senso, um anacronismo, que não será tolerado pelos que querem e lutam pela democracia no CPII.

Sendo assim, denunciamos que o ocorrido em nossa instituição escolar trata-se de mais um processo de criminalização dos movimentos sociais e cobraremos junto às instâncias cabíveis que tais processos sejam definitivamente arquivados e que outros processos gravíssimos que ocorrem em nossa Instituição possam ser apurados realmente, não sendo colocados pra baixo do tapete como é o que ocorre.

Pela Diretoria do SINDSCOPE, assinam este documento os membros da Coordenação Geral do Sindicato:

LUIZ SÉRGIO RIBEIRO
Coordenador Geral do SINDSCOPE

WILLIAM DO NASCIMENTO CARVALHO
Coordenador Geral do SINDSCOPE

RAIMUNDO NASCIMENTO DÓRIA
Coordenador Geral do SINDSCOPE

sábado, 6 de abril de 2013

Nota em resposta à publicação da PM-RJ


(por: Diretoria do SINDSCOPE) 

No dia 22 de março de 2013 uma ação violenta da PM-RJ despejou mais de 20 etnias indígenas que se valiam da Aldeia Maracanã para não apenas encontrar paradeiro seguro, mas também divulgar as suas respectivas culturas no Rio de Janeiro. Durante o confronto, lá estiveram, além de numerosos apoios ligados aos movimentos sociais, alguns parlamentares de diferentes partidos políticos, entre os quais o deputado Marcelo Freixo. A presença do deputado e, principalmente seu depoimento após o ocorrido, fizeram crer ao órgão de imprensa da corporação policial que era preciso um pronunciamento oficial (1).

Para além da resposta com ares de reprimenda aos juízos “impróprios” do parlamentar, o que queremos sublinhar nesta nota é a intenção contida na ultima frase deste comunicado da Polícia Militar do Rio de Janeiro ao afirmar insidiosamente que: “O símbolo do Anarquismo que tremulava nas janelas do antigo museu do índio revela o verdadeiro objetivo de muitos que hoje se voltam contra a atuação da Polícia Militar”. Uma clara tentativa de, não apenas desqualificar a ideologia anarquista, bem como de criminalizar a todos que, por se indignarem diante da truculência da tropa de choque, cerraram fileiras na defesa dos povos originários estabelecidos desde 2006 naquele local.

Pelo motivo citado, nos sentimos na obrigação de esclarecer que se devem julgar os patrimônios coletivos da classe trabalhadora, e a ideologia anarquista é um deles, pelos fatos que os caracterizaram e lhes deram identidade através dos tempos. No sentido ético - ethos = costume - são as atitudes que, de fato, permitem que se tenha, de um determinado fenômeno, uma opinião minimamente válida e séria.

Assim, se tomarmos como base apenas a História do Brasil vamos encontrar as/os anarquistas diretamente envolvidos com as primeiras greves no Rio de Janeiro 1900-1903, a Revolta da Vacina (1904), a Revolta da Chibata (1910), a Luta Contra a Carestia (1910-1919), a Insurreição Operária de 1918, a resistência a ditadura de Arthur Bernardes (1922-1926), a resistência Antifascista (1933-1945), a defesa das Ligas Camponesas (1950-1969), o combate à ditadura Civil-Militar de 1964 e ainda hoje na resistência com os sem-teto, sem-terra e desempregados e com os trabalhadores organizados em seus sindicatos. Sempre ao lado de quem produz as riquezas e é espoliado por uma minoria de proprietários e governantes.

A linhagem do anarquismo assenta-se, portanto, sobre uma base popular, de luta social e de solidariedade de classe. Essa é a conformação ética do anarquismo, seu mais claro perfil e sua mais professada vocação. Credenciados pelas inúmeras participações que lhe facultaram tal conformação, os anarquistas não poderiam estar em outra parte, no dia 22 de março, senão resistindo junto com os índios e índias na Aldeia Maracanã. Essa é também a sua história ou parte dela.

Na mesma perspectiva a PM-RJ também estava lá. Somando à sua história mais um ato, uma “outra ética”, um outro papel, servindo certamente a outros senhores. Em diametral oposição aos anarquistas, mas sempre a “serviço da ordem”, da “lei”, ainda que para escândalo da justiça. Contra todos, mas sempre na defesa de tudo para uns poucos. Aliás, não há com o que se espantar, sempre foi assim.


Ao que tudo indica o “dever de esclarecer” da assessoria de imprensa da PM-RJ transforma-se pelo teor do que escreve em “esclarecimento do dever”. Pode-se dizer que o texto da corporação é tanto mais revelador da sua existência que da sua intenção. Lamentamos ainda que rios de dinheiro sejam gastos para melhorar a imagem da polícia sem, no entanto, alterar em um milímetro a sua vocação. Tantos recursos que poderiam ser utilizados na saúde e na educação, por exemplo, que acabam desviados, até mesmo para a indústria cinematográfica, na tentativa de transformar um pesadelo em sonho de completa segurança.

Lamentamos por tudo isso, e não apenas, trabalhamos inclusive por um mundo melhor, mais justo e socialista.

(1) O pronunciamento oficial a que o texto faz referência está acessível em: http://www.policiamilitar.rj.gov.br/news_full.php?cat=1&ver=4064&usu=35.

(Texto elaborado pela Diretoria do Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II - SINDSCOPE - originalmente publicado em: http://sindscope.org.br/.)